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Vale a pena ver de novo: Manoel Carlos retorna ao Canal Viva

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Autor de mais de 11 novelas, Manoel Carlos, carinhosamente chamado de Maneco, está longe das produções desde 2014, quando entregou sua última Helena (Julia Lemmertz) na novela “Em Família”. No entanto, a programação do Canal Viva – que resgata sucessos da teledramaturgia global – e as reexibições do “Vale a Pena Ver de Novo” nos farão revisitar o Leblon e o universo de Maneco. 

A verdade é que as novelas de Manoel Carlos ocupam um lugar especial no coração e na mente dos telespectadores. Prova disso foi a hashtag #MULHERESAPAIXONADASNOVIVA, que se tornou trend topic no dia de sua estreia (23), e tem sido tópico de discussão no Twitter desde então. Só por isso, já se pode imaginar o burburinho que o retorno de “Laços de Família”, no Vale a Pena Ver de Novo, a partir do dia 07 de setembro, pode causar.

Mas o que provoca, no entanto, esse alvoroço entre o público, mesmo após 20 anos da primeira exibição de suas teledramaturgias? 

De acordo com Valmir Moratelli, autor do livro “O que as telenovelas exibem enquanto o mundo se transforma”, a construção de seus personagens e os conflitos que os envolvem aproximam-se da realidade dos telespectadores. Eles não são 100% bons e nem 100% maus, mas vivem uma dicotomia entre o certo e o errado. “Maneco carrega até o fim da história a questão de que todo mundo pode errar na vida e nem por isso vai ser um eterno mau-caráter”, afirma o escritor.

Helenas

Entre os personagens imortalizados pelo autor, estão as famosas Helenas, inspiradas tanto no romance homônimo de Machado de Assis, quanto na mitológica Helena de Tróia, motivo de guerras e destruição de nações. 

(Foto: Reprodução/Internet)

Christiane Torloni, a Helena de Mulheres Apaixonadas, destacou: “É libertador ser Helena. É muito chato você fazer uma mocinha que só existe no papel. Quem se identifica com uma pessoa que não carrega todas as dúvidas da alma feminina? Se ela for restrita a dogmas de moral, não liberta as pessoas. Os grandes personagens são aqueles que provocam alívio. São heroínas imperfeitas”, contou a atriz em entrevista ao Estadão.

Torloni está presente no universo de Maneco desde Baila Comigo (1972), onde interpretava a filha da primeira Helena do autor, interpretada por Lilian Lemmertz. E revelou a maneira gentil como o autor cuida de suas protagonistas, fazendo-as desvendar aos poucos o que realmente simboliza estar na pele desta personagem tão marcante na mente do telespectador. “Ele manda livros com cartas e bilhetes escritos com caneta pena, com uma caligrafia linda. É um processo de você ser a musa, de fato. Escreve rubricas no texto, ajuda o diretor a dirigir, o ator a atuar. Ele vai mostrando o que a alma da personagem está dizendo”, disse a atriz.

Baseados em fatos reais

Outro aspecto presente e bem colocado nas tramas de Manoel Carlos é o merchandising social. Tanto em “Laços de Família”, quanto em “Mulheres Apaixonadas”, ele aborda alcoolismo, prostituição, homossexualidade e violência contra a mulher. Em uma cena, por exemplo, ocorre um tiroteio em uma rua do Leblon, que culmina na morte de Fernanda (Vanessa Gerbelli), vítima de bala perdida, cena baseada em um acontecimento real.

(Foto: Reprodução/Internet)

Segundo Ricardo Waddington, diretor de núcleo das duas novelas, cenas como essa e o corte de cabelo de Camila em “Laços de Família” exigiam uma direção realista, para mostrar de forma sensível e verossímil o drama das personagens. “A boa e grande repercussão dessas histórias significa que conseguimos sensibilizar as pessoas com o resultado da parceria bem-sucedida entre autor, elenco e direção”, contou o diretor ao Jornal O Globo.

Apesar das histórias de Manoel Carlos ocorrerem em um recorte muito específico. Os temas abordados são universais como: amor, ciúme e desejo, o que provoca empatia no público e coloca o autor como uma das referências do melodrama nacional. “Maneco é um gênio da crônica do cotidiano. Acredito que suas novelas tenham ainda muito fôlego para render bons papos, pessoalmente ou nas redes”, afirmou o diretor de núcleo da Rede Globo.

A dúvida que paira agora é se as narrativas de Maneco continuarão agradando o público na reexibição. Só nos resta acompanhar e perceber se suas tramas envelheceram tão bem quanto a trilha sonora de suas novelas.

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