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Festival de Parintins 2020: o sentimento de uma torcedora apaixonada

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Emiliana Monteiro Bumba

Parintins 2020: Só quem já viveu a adrenalina e expectativa do Festival Folclórico de Parintins no dia-a-dia do mês de junho, sabe o sentimento de vazio que toma conta esse ano.
Para quem costumeiramente festeja e vive o período, a última semana do mês de junho está sendo um misto de saudade, vazio e uma certa dose de melancolia.

Especial para o Portal Beiju – Parintins

Essa semana, a ilha da alegria, como é conhecida Parintins, estaria no ápice da sua magia. A cidade não só estaria mais movimentada, mas estaria mais feliz, dividida entre azul e vermelho, com triciclos coloridos tomando conta das ruas, ensaios lotados, comércio fervendo, agremiações correndo contra o tempo para deixar as apresentações impecáveis, as toadas tocando em todo lugar, alegorias na concentração do Bumbódromo, a cidade respirando Boi-Bumbá.

2020, um ano fora do comum

Hoje, o cenário é outro. A pandemia do coronavírus mudou a vida de muita gente e impactou eventos tradicionais como o Festival de Parintins.

As grandes aglomerações, bois de ruas, festas e ensaios deram lugar às lives, aos #tbt nas redes sociais, ao compartilhamento de lembranças, que a gente tenta resgatar na tentativa de amenizar a saudade.

Artistas, costureiras, coreógrafos, artesãos e tantos outros ficaram os dias dos últimos três meses esperando que o cenário mudasse, mas não mudou e não há previsão.

O comercio sem o Festival de Parintins 2020

O comércio tenta se manter de pé, as agremiações tentam amenizar a falta do Festival (inclusive o impacto econômico na vida dos trabalhadores dos bumbás), os galpões e currais estão solitários e nós estamos nos acostumando ao vazio.
Esta semana, eu, torcedora fervorosa do Caprichoso, estaria abrindo minhas redes sociais para alfinetar o “contrário”, deixando tudo mais azulado e divertido.

Hoje, a rivalidade, ainda que sadia, deu espaço ao respeito, e a gente se permite chamar o “contrário” pelo nome, Garantido, pois, pela primeira vez, o sentimento de ambos os torcedores é o mesmo: a saudade. Mas não é saudade de um ano inteiro esperando, é a saudade de não saber quando será o reencontro.

Eu estaria em Parintins, comemoraria meu aniversário na ilha, cercada da magia desse lugar. E no primeiro rufar de tambor do meu Boi, no Bumbódromo, eu ia gritar, pular, me arrepiar, emocionar, como todos os anos que estive nesse local, é mágico.
A gente esquece tudo e se une a rostos conhecidos e desconhecidos, que por algumas horas se transformam em um único corpo, pulando e vibrando em volta da arena. Ah, que saudade!

É hora de recolhimento e cuidado, é hora de isolamento e olhar tudo de forma distante. E a gente entende o quanto é necessário. Este fim de semana, alguns eventos online substituirão as festas tradicionais como Festa do visitante e apresentações no Bumbódromo, com transmissão pela TV A Crítica, YouTube e redes sociais. Pra quem está perto ou longe, dá pra matar um pouquinho da saudade.

festa dos bois de Parintins 2020.

Enquanto isso, permanecem as lembranças e o saudosismo de quem não vê a hora de tudo isso passar e voltar a celebrar a festa dos bois de Parintins.

“Quando a toada toca o mundo para de girar, o relógio não existe, a tristeza desistiu e nessa festa o estresse pediu a conta e a solidão tirou férias desse lugar.”

Texto de Emiliana Monteiro

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